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Environment

Floridos, lindos e sem químicos: os grandes jardins também podem ser paraísos polinizadores

Barbara Berardi explica porque razão deve eliminar os pesticidas e como o seu jardim pode prosperar sem produtos químicos perigosos. 

  • Blogue de notícias
  • 20 de abril de 2026
  • Direção-Geral do Ambiente
  • 4 min de leitura
Ladybird on a leaf
© Frank Vassen

O meu nome é Barbara Berardi e trabalho para a Rede de Ação sobre Pesticidas Europa, que se dedica à proteção da saúde humana e da biodiversidade contra os efeitos nocivos dos pesticidas e à defesa e promoção de alternativas mais seguras.  

A contaminação por pesticidas está por todo o lado: nos solos, nas águas superficiais e subterrâneas, na vegetação e no ar. Esta contaminação contribui significativamente para o declínio dos insetos, dos polinizadores, das aves campestres, dos organismos do solo e da biodiversidade aquática. Esses impactos comprometem o funcionamento dos ecossistemas, a resiliência agrícola e a segurança alimentar a longo prazo.  

No entanto, é possível reduzir os pesticidas químicos. 

A experiência prática dos agricultores de toda a Europa mostra que a utilização de pesticidas pode ser substancialmente reduzida sem afetar a rentabilidade das explorações agrícolas. 

Os espaços verdes urbanos sem pesticidas, como parques públicos e recintos escolares, também apoiam a recuperação das populações de polinizadores, salvaguardando simultaneamente a saúde humana. Algumas cidades europeias já estão a pôr isto em prática. Paris já não tem pesticidas há vários anos e, na realidade, os pesticidas foram proibidos em todas as cidades e municípios franceses. Foram aplicadas políticas semelhantes na Dinamarca, na Bélgica, nos Países Baixos, na Suécia e no Luxemburgo. 

Os jardins privados e até as varandas podem ser refúgios para polinizadores e outros insetos. Até o mais pequeno espaço exterior pode tornar-se parte de uma rede viva de apoio à natureza.  

Os artrópodes benéficos, como os polinizadores e os inimigos naturais das pragas (por exemplo, joaninhas, crisopas, moscas-das-flores), mantêm as populações de pragas sob controlo de forma gratuita, desde que estejam protegidos contra pesticidas nocivos. 

O que pode fazer  

Plantar pela diversidade: incluir uma variedade de plantas floríferas que floresçam em alturas diferentes ao longo da estação, o que garante um abastecimento contínuo de néctar e pólen, não só para as abelhas e borboletas, mas também para as moscas-das-flores e as vespas parasitas, cujas larvas comem pulgões e outras pragas. Algumas plantas, como o cravo-túnico, atraem um vasto espetro de insetos. Outras, como certas sálvias, apoiam as abelhas-melíferas e os abelhões, ao passo que as zinias-anãs são particularmente apelativas para as borboletas. 

Escolher plantas locais: os polinizadores locais evoluíram a par destas plantas, adaptando-se às suas características específicas, como ciclos de floração, formas e cores. As espécies nativas adaptam-se melhor às condições locais, exigindo menos manutenção e cuidados.  

Cultivar ervas aromáticas: manjericão, alecrim, tomilho... Além de serem um complemento delicioso às suas receitas, quando lhes é permitido florescer, tornam-se fontes alimentares valiosas para os polinizadores e proporcionam um controlo natural das pragas. Sabe-se que o manjericão plantado perto do tomate afasta as lagartas, os tripes e os pulgões; o alecrim ajuda a repelir uma série de pragas comuns do jardim e as flores de borragem (Borago officinalis) atraem abelhas e vespas predadoras, ao passo que a própria planta atua como um dissuasor para as lagartas.  

Plantar flores silvestres à vontade: crie uma fileira de flores silvestres autóctones mistas ao longo da borda dos canteiros que serve de reservatório para permitir que os insetos benéficos possam propagar-se para as hortas quando surgem pragas. Num jardim comunitário, uma forma simples e eficaz de permitir que estas plantas se multipliquem no bairro é trocar sementes — quantas mais pessoas as cultivarem, maior será o benefício coletivo.  

Fornecer água: os polinizadores também necessitam de acesso seguro à água e a locais de repouso protegidos. É preferível utilizar recipientes com água pouco profunda, a fim de evitar que os pequenos insetos se afoguem. As borboletas gostam de zonas calmas e abrigadas do vento para descansar entre voos. Muitas abelhas solitárias necessitam de locais tranquilos para fazer ninho e passar o inverno. Até uma pequena pilha de madeira morta ou um simples hotel de insetos podem ter um grande impacto.   

E sobretudo evitar pesticidas químicos: são prejudiciais para os insetos que está a tentar atrair. Um jardim equilibrado e bem regado não precisa de muita intervenção humana. Sempre que necessário, utilizar, em vez disso, métodos naturais específicos, como eliminar pragas à mão ou com água ou aplicar um pulverizador de sabão e sem fragrâncias diretamente na área afetada. 

Dung Beetle
Frank Vassen

Os espaços benéficos para os polinizadores são tábuas de salvação na paisagem urbana que permitem que as abelhas, as borboletas e os seus aliados circulem, se alimentem e sobrevivam. Estes refúgios e fontes de alimentação não contaminados ajudam a transformar a cidade num local melhor, mais saudável e ecológico, onde a natureza pode prosperar. 

 

Reunimos dicas de toda a Europa no âmbito da campanha #ForOurPlanet 2026.  Descubra como pode causar impacto com algumas ações simples em casa ou lá fora, trabalhando com a sua comunidade e as outras pessoas para ajudar a restaurar a natureza. 

Data de publicação
20 de abril de 2026
Autor/Autora
Direção-Geral do Ambiente

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